sábado, 28 de novembro de 2009

Parte II

(...)

A sensação de vê-lo morto caído em meio ao deserto, cercado pelo vazio não me era nem um pouco formidável. Para ser sincera e talvez um pouco mais exata eu tive medo, uma sensação de impotência me invadiu, embora eu fosse capaz de reverter todo aquele processo, eu me sentia impotente. O bem sempre deve vencer o mal. E o mal naquele momento se fantasiava de bom, o jovem morreu acreditando que tinha sido salvo por um anjo, pobre alma. A minha vontade era de mostrar a ele tudo o que ele merecia saber, mas eu não poderia, estava no estatuto celestial que anjos não podem fazer confissões aos humanos, eu poderia ser expulsa e isso não  me convém.

O calor era insuportável até para mim, uma criatura alada. Procurei uma forma de encontrar o meu superior e mostrá-lo que ainda não era a hora,  de esclarecer o que naquele momento estava envolto por uma nuvem negra. Queria mostrar que a ida do jovem, para onde quer que fosse, faria outras se perderem, ele não sabia, mas sua existência era algo crucial para algumas vidas humanas. Eu vi aquela criatura indo embora montado ao cavalo e não fui vista, esperei ela tomar uma distância de segurança, me sentia frágil e incapaz (embora não fosse a verdade, era o que eu sentia) de lutar com ela, me aproximei do corpo e percebi que a alma ainda estava presa a ele, a alma do jovem era brilhante e reluzia para quem quisesse ver, minto - para qualquer criatura celestial que quisesse ver, debrucei sobre o corpo e era impossível não chorar, ele tinha sido enganado, acreditava que sua alma havia sido entregue aos anjos. De qualquer forma, não completamente enganado. Debruçada sobre o corpo, chorando sobre a face dele via minhas lágrimas se misturando ao suor sofrido que havia nele. Almas entregues em forma de oração - que seja feita a sua vontade - são almas salvas. 

Costumo ser chamada de ousadinha por outros seres celestiais, tudo deve-se ao fato que eu não posso apenas observar nada de longe, nada do que fora entregue em minhas mãos, exceto as coisas que me fazem sentir incapaz, embora eu enfrente qualquer inferno que for preciso. Afinal a minha missão é lutar pelo céu e inferno de cada dia. O meu superior ouviu finalmente ao meu chamado e eu dei minhas explicações, eram necessárias já que ele era cabeça dura e eu não tinha muito tempo, não sabia por quanto tempo a alma estaria presa ao corpo, estaria ali pronta para desfazer todas as coisas que aquela criatura havia feito. 

Permissão concedida.

Confesso que me faltou força, por um instante. O brilho que reluzia da alma em forma de socorro me deixou sem reação. Me ajoelhei diante do jovem e depositei minha mão sobre o seu coração, na língua dos anjos fiz todas as preces e o devolvi a vida. Ele abriu os olhos, embora não pudesse me ver, um sorriso saiu do seus lábios e foi um grande alívio para mim. Trouxe o cavalo de volta, montada nele. Expulsei o mal daquele lugar, o jovem pensava que a moça se chamava Luana, ilusão, era Lúcifer.Tudo o que eu poderia fazer eu fiz. Me ajoelhei diante dele outra vez, após trazer o cavalo. Toquei a alma, senti a textura da inocência que a tempos não sentia e o brilho no olhar, a volta a vida,  a felicidade era algo que nenhum mal no mundo seria capaz de levar embora outra vez. 

O céu tinha dado a ele uma segunda chance. E Lúcifer outra vez havia perdido. Sempre nas formas mais encantadoras enganando os que não o conhecem. Mas diante da palavra de Deus, todo mal será vencido. Lúcifer havia sido expulso do paraíso por ser fraco e por não merecer todas as vitórias que ele teria se continuasse do lado do bem. 


Se Deus é por mim. Quem será contra mim?

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Esse texto eu escrevi pro meu amigo, Rapositcho! HUAHUAUHAHU não me mata! ¬¬ Porque ele se matou no texto do "Horse with no name" e eu prometi a ele que eu o ressucitaria. Eu demorei, mas você está vivo outra vez. E tem uma coisa que ele já disse que admira em mim, a minha fé. Então... resolvi usar uma dose dela pra homenageá-lo. Amiguinho, obrigada pelo que você fez por mim essa semana. Vou tomar vergonha na cara e responder todo mundo.

 

 






 

 

 

sábado, 21 de novembro de 2009

E o vento...



















Não levou
. A lembrança é permanente.


Três é um número em que o coração nunca se divide. Pude ter certeza disso quando naquela noite, observando as pessoas naquele bar um casal me chamou a atenção. Os olhos tristes dela estavam em outro lugar, ou talvez tão ali que eu não pude entender, dentro de pensamentos íntimos. Anna era possivelmente o nome dela. Ele tinha um quê de Frederico e era, ela gritou Fred. O tom de voz dele estava notavelmente chateado, conturbado. Como quem desejava, necessitava, exigia ser amado e definitivamente não era, pude perceber tudo isso quando ela foi se levantar para cumprimentar duas pessoas que haviam acabado de chegar no ambiente e ele a segurou pelo braço, de maneira grosseira, quis me meter mas não era possível. Cupidos não tocam em ninguém, miram suas flechas apenas de longe e o que tiver de ser, certamente será. Agora estou me recordando, era Anna o nome dela, era sim. Que memória horrível a minha. Mas depois de sentir o braço seguro de forma grosseira em meio a mão grande dele, ela olhou para trás, os dois se aproximavam e ela murmurou: Me solta... Tão baixo que talvez ele não a tenha ouvido, leitura labial era algo impossível pois era escuro o ambiente, os cochichos e a banda tocando ao fundo não ajudavam em nada na audição, eu garanto porque estava lá a procura de outras vítimas. Mesmo sem ouvir o que ela havia dito e nem ter percebido que a Anna, loura dos cabelos curtos e sorriso atraente, havia dito ele perguntou: Você o ama, ainda o ama não é? Num único movimento, brusco como haveria de ser ela se soltou dele, titubeou em dar a resposta. Ela não era do tipo que gostava de machucar, não queria iludir, não queria mentir. Naquele momento quis se enfiar no meio daquele mundaréu de gente e partir, sem ao menos dizer adeus. Mas, essa não era a educação que ela havia recebido de seus pais. Ah, seus pais! Vítimas minhas, das antigas. Do tempo que eu não errava uma, assunto pra outra história. Frederico ainda tinha uma última esperança, que em meio aqueles lábios suculentos saísse um, só um: Não. O esqueci desde que te vi. E foi com uma frase, que ela matou a última esperança, não sei se parecia um soco brutal ou um tiro falta, mas foi só assim: Sim, o amo. E a alma dele murchou de uma vez só, pude ver ainda que de longe, coitado. Um mal amado a minha espera, só mais um. Só? Além de desmemoriado estou ficando maluco, existem tantos nesse mundo de meu Deus. Eu pude ver também um nó subir pela garganta dela, ela não queria ter feito aquilo. Não era de fato o gênero dela, tão meiga e tão mulher. Estonteante, estonteante sim. Se eu não fosse cupido e não soubesse que essa história de tampa da panela existe mesmo, eu estaria acidentalmente apaixonado por Anna, naquela noite. Mas, cupidos são as frigideiras, sem tampas, sem sexo, sem sorte. Escrevo tudo no masculino porque não deu vontade de escrever no feminino, tão simples. Anjos, cupidos e arcanjos não têm sexo feminino ou masculino, não se esqueça querido, ou querida? Você tem, não tem? Voltando a querida, encantadora, fascinante e maluca Anna, esses são adjetivos que ali só cabiam a ela, tanta gente vazia que eu tive vontade de correr daquele lugar imundo, imundo de gente e não de limpeza, ah! Vocês humanos nunca me entendem. E a culpa sempre é minha. Sempre me zoam. Ah, humanos. Anna o amava tanto e quando o viu ali, vestido com aquela roupa fina, tão linda, ficou maluca. Saiu andando na direção dele, como se fosse ao toalett, não daria o braço a torcer e quando finalmente se esbarraram olhou com cara de espanto (Anna, ótima atriz): Você por aqui, Jorge? Que bons ventos o trazem? A atuação durou tão pouco tempo, ela não se segurou, o abraçou pra sentir de novo o seu coração bater inteiro dentro do peito, metade dele, metade dela. Jorge afagou os cabelos louros dela, ele também sentia saudade, ele também tinha boas lembranças. Por aí, você já pode ter certeza que às vezes eu ainda acerto, não é? Diga sim, por favor. Meu ego anda tão arruinado ultimamente. Jorge perguntou se ela estava sozinha, mesmo ele não estando. Nem preciso contar que a morena que o fazia companhia (desnomeada, meu bem) não gostou nada do pseudo encontro casual de Jorge com a Ex em meio ao barzinho mais agitado da noite paulistana, não é? Ok, vocês humanos às vezes me compreendem facilmente, grife às vezes. Não é sempre, não mesmo. Anna o amava tanto, o queria tão bem que até seu semblante mudou ao reencontrá-lo, sorria para o nada, para o vazio das pessoas que se encontravam naquele lugar lotado. Fred não conteve o impulso e quando viu que ela ficaria mesmo perto do ex, resolveu convidar o casalzinho vinte e a desnomeada para sentar-se ali. Onde estava Anna e ele anteriormente, foram os quatro. Ele não era má pessoa, conheço milhões de garotas no mundo inteiro que dariam a vida para estar com Fred, não seja hipócrita, você certamente é uma delas. O moço era apresentável, educado e só um pouco grotesco, só quando seu ponto fraco era cotucado. E como mulheres adoram fazê-lo, não? Detesto parecer fofoqueiro, mas às vezes as mulheres falam umas coisas no banheiro que me deixam atordoado, não queira nunca você homem entrar num banheiro feminino, a última coisa que elas falam é sobre futebol. A menos que o astro do momento seja um jogador super-hiper-mega-maxi gostoso, é assim que elas falam, queridinho. Odeia ser chamado assim? Foda-se. Odeio quando me chamam de tantas coisas e vocês nunca param. Foi ao banheiro que Anna e a Morena sem-nome foram, Anna que parecia ter uma pimenta na língua logo cutucou: Tá pegando o Jór? A morena enquanto tirava a maquiagem de dentro da micro bolsa, olhou-a com cara de quem tinha comido pepino estragado: Qual foi, tá com ciúmes? O Fred é um bom partido. Foi o que eu disse, Fred não era qualquer coisa, mas não era o que Anna queria e Anna não se conforma com as coisas pela metade, ou tudo ou nada. E devo ressaltar que a mãe dela também era assim, até que encontrei o encaixe - o pai. Tudo que Anna sabia sobre o amor de homem e mulher ela havia aprendido com Jorge, seu primeiro (e diga-se de passagem, único) amor.
Anna aprendeu a se preocupar, a acordar as três da manhã só pra ler aquela mensagem que ele mandava todas as madrugadas, aprendeu a sorrir com a alma e entender o olhar, por mais rápido que ele fosse, era o suficiente. Aprendeu que namorar o cara certo, nada mais é que beijar e dormir com o melhor amigo, era uma coisa além do que todo mundo pudesse entender e todo mundo sabia. O mais importante que ela havia aprendido era que o amor não era feito de cobranças, não era uma exigência, simplesmente acontecia. Depois é claro da minha flechada fatal, mas nada que os humanos fossem capazes de entender, embora esteja lhes contando agora. E Fred fazia muitas cobranças, exigia ser amado. Coitado. Exigia porque Anna não era pra ele, se fosse não precisaria exigir, eu atiraria a flecha e pronto, seria amado. Não precisa-se de razões para o amor, precisa-se de flecha, mira e só. Vocês que complicam, esperam, exigem, me chateiam e acabam me apressando, fazendo assim que eu só faça coisas erradas (e tome bronca depois, o que me deixa irado.) Não queira nunca ver um anjo irado. As duas bonecas voltaram a mesa e foi quando eu resolvi atacar, Fred já tinha entendido que havia perdido, um a menos. O sorriso de Anna brilhava de orelha a orelha, parecia uma luz em meio aquele lugar escuro. Procurei uma posição boa e, bem só fiz o que deveria ter feito a muito tempo, juntei a morena com o tal do bom partido. Não demorou muito pra conversa fluir, não demorou muito pra Anna começar a rir das piadas do Jór, ah! As piadas do Jór... vieram os suspiros e cada um voltou pra casa sozinho, mas com o coração completo. Como haveria de ser sempre se vocês não complicassem tanto. Vale lembrar que rolou até aquela mensagem no meio da madrugada, eu não li porque é falta de educação, mas deve ter sido bom, ganhei quatro sorrisos e quatro agradecimentos indiretos.

sábado, 14 de novembro de 2009

As meninas dos meus olhos,

Todo mundo tem "as meninas" dos próprios olhos e eu na verdade tenho cinco. Duas que brilham de felicidade pelas outras três, que possuem brilho próprio.
É sempre uma árdua luta da minha parte para descrevê-las, mas nunca me darei por vencida. As meninas dos meus olhos merecem todo e qualquer esforço e só conhecendo-nas pode-se entender o porquê isso não deve soar apenas como um lugar-comum. "Ela, a outra e eu" não saem da minha cabeça, do meu vocabulário e Deus queira que não saiam nunca da minha vida.
Ela, possui um brilho nos olhos que é capaz de estontear cada um e visto uma vez, nunca se esquece, tem uma maneira única de sorrir, assim com os olhinhos apertadinhos, os lábios dilatados e a alma toda pra fora, esse sorriso ilumina a minha vida, desde o dia que conheci ela. De olhar, ainda que de longe... dá vontade de tocar, de amar, de não sair de perto. E mais do que isso, mas eu não queria falar da vontade de proteger, que é bobagem, pois ela é um anjo. Ainda que eu não veja tuas asas, já te vi alçando os voos mais bonitos do meu céu. E foi num destes que ela me trouxe "a outra e eu" pra perto de mim.
A outra, você pode ver? Diga-me, por favor, que eu não estou sozinha, diga-me que você também é capaz de enxergar esta alma transparente, pura? Tenho vontade de me sentar a frente da outra e me calar, de olhar até dar vertigem até eu ver o mundo a minha volta acompanhando os teus movimentos. Meu hobbie é encontrar almas que se pareçam com a minha e eu encontrei a outra. Se a outra rugir enquanto você se aproximar estenda a mão e mostre que você não quer nada além do bem e a outra não será capaz de te fazer mal. Após contemplar um pouco você a verá sorrir e perceberá que ainda que o primeiro rugido assuste, tudo vale à pena. E essa Leoa não será nada além de uma gatinha mansa que só quer o teu carinho.
Eu, não sou eu. Embora, nós possamos dar as mãos e caminhar juntas por uma praia, numa rua, numa galáxia qualquer. Porque nós temos muito em comum, muito para conversar. Eu posso me ver ali, como se diante dela (ou de mim) eu visse minha história clara, como a luz do lua. Quantas luas, não? E por ver-te em mim que receio tanto em escrever e acabar contando alguns segredos que não são só meus. Mas, olhe para os olhos dela, eles podem ver coisas que vocês não vêem e podem entender coisas que vocês não entendem. A eu também tem asas, embora ainda precise de coragem pra pular do sexto andar e ainda tem quem lhe segure as mãos caso sinta medo, mas aspira liberdade assim como eu. Eu me perdi nas palavras pra falar, não sei se estou falando da eu ou de mim, quem sabe não seja a mesma coisa?
O que realmente importa de tudo isso é que no fim "Ela, a outra e eu" se completam e vieram para me completar também, talvez você seja o próximo. Uma amizade assim dura para a vida toda, quando tudo se mistura eu não sei se tenho orgulho de vocês ou de nós.


Joyci Dias.




"Quando penso nas possibilidades de encontros percebo que este já estava previsto, vejo o sucesso dos nossos planos e um futuro com todas as formas possíveis juntas: ela, a outra e eu." (Michelly Barros)



Comunidade no orkut ~ Twitter

Tudo bem que eu sou a pessoa mais suspeita do mundo pra falar desse livro, mas eu tenho certeza absoluta que ele será perfeito. Lançamento pro dia 9 de dezembro, na Livraria da Travessa, no Barra Shopping a partir das 19hs. E exemplares serão vendidos pela internet.

domingo, 8 de novembro de 2009

Absurdamente gente. ♥

Conheci em meados de novembro do ano de 2007, através do magnífico Orkut, com aquela história do Caio que eu só vim a descobrir tempos depois, uma alma especial reconhece de imediato a outra. Mas se você quer saber o porquê de tudo isso, só tem uma explicação: Os planos de Deus. Você consegue imaginar outra possibilidade se não os planos Dele? Eu não. E eu sei que você também não pode, já que não existe, eu te conheço. Conheço decór teu jeito de se expressar, conheço o seu jeito de sorrir com os olhos deixando tuas bochechas ainda mais ressaltadas e apetitosas, conheço seu jeito chateado quando diz que estou sendo fria e distante, mas também conheço seu jeito preocupado quando sou eu quem digo isso.
Está para nascer alguém que mergulhe assim como você, tão sem medo no meu oceano de invenções, está para nascer alguém que tenha as coisas que eu defendo como lei, assim como você, que me acredite (até quando eu duvido). Alguém que me defenda, que me ame, que me espere e que leia a minha alma através do meu sorriso como você. Alguém que com uma sms sem dizer quase nada diga tudo o que eu preciso ler/ouvir: você não está sozinha no mundo, eu estou aqui. Ainda que não com essas palavras. E o que são as palavras que saem de dentro de ti? Me deixa orgulhosa em poder gritar se for preciso pro mundo inteiro: É MINHA AMIGA, PORRAAAA! Eu não sei se você consegue ver, mas essa criatura tem uma alma tão pura, tão livre de todos os preceitos do mundo que dá vontade de pegar e guardar num potinho, de tocar e de apertar, mas não é visível, não é palpável e não pertence só a mim, mas me pertence e quando eu estiver vendo ela no topo do mundo eu vou poder dizer: Faço parte dessa história. História? Por Deus, quantas histórias. Você me deu o melhor presente do mundo, o presente de 15 anos que de vez em sempre eu paro pra ver de novo, ler de novo, tocar de novo. Porque cartas não são feitas pra mandar notícias, cartas são feitas para os corações se tocarem enquanto a mão segura e os olhos vasculham o papel. Você me disse uma vez que os sonhos são possíveis de se realizar e foi além das palavras. Você realizou o sonho que eu tive com você. Você é tão perfeita que eu não tenho palavras a tua altura pra descrever-te. E eu sei que você é capaz de conquistar cada um que esteja a tua volta. Você é tão minha que eu te sinto dentro do meu coração enquanto eu escrevo pra ti, sinto você batendo na portinha dele e dizendo: Ei, não precisa falar mais nada, só me abraça Love! Porque somos conscientes de que um abraço vale mais do que essas palavras todas, que elas não seriam necessárias se a gente pudesse olhar uma nos olhos da outra e falar: Boneca. Só que nós também estamos cientes de que isso vai acontecer, mais cedo ou mais tarde eu vou te encontrar e faremos a festa que a nossa alma (especial) merece por termos nos encontrados.
Eu só escrevi esse montão de coisa, desorganizado e tudo mais. Para que as pessoas que ainda não sabem o que significa a expressão “MUITO GENTE” poder entender o que é, porque eu não teria uma explicação melhor para uma muito gente do que você.
Nem o Bruno, nem eu, nem qualquer outra pessoa no mundo é mais gente do que você. Porque você é tão gente que se doa pelo outro, que não se importa em perder um tempo de você com você para lutar pelo sonho de alguém, porque você faz as pessoas se sentirem importantes não com presentes caríssimos e de marca, mas com as coisas que saem da tua alma, ser muito gente não tem de fato uma definição no dicionário, mais se precisasse de um sinônimo eu não hesitaria em colocar: FERNANDA.

Te amo, Fer. Te amo, Nanda. Te amo, quase. Te amo, baêana. Te amo, Sex. Te amo, Leal. Te amo, a bruxa. Te amo, Bambyzinha. Te amo, neném. Te amo até do avesso.

♪ Qualquer dia amiga a gente vai se encontrar. ♫

Obrigada Deus por mais este presente que veio dos céus, que veio das Tuas mãos.

Da sua Boneca, da sua escritora, da sua bebê.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

A Rosa quer dizer.

Engoli todo aquele orgulho absurdo para então vir falar para ti, meu Pequeno Príncipe. Quando partistes para a Terra eu não fiquei muito feliz, ficar só nesse planeta tão pequenino quanto você e eu não me soou como uma boa ideia, aprendi o significado de uma palavra até então desconhecida por mim: Saudade. Saudade complica tudo, saudade faz um dia parecer um ano e um ano parecer um século, ainda mais quando as coisas por aqui se encontravam num vazio profundo e tudo a minha volta parecia preto e branco, saudade é tão ruim parece o bicho papão e eu acreditava a todo instante que ela estava prestes a me engolir. Cadê a redoma? Cadê o Pequeno Príncipe? Eu só conseguia sorrir quando as noites estreladas me diziam que eu poderia ficar tranqüila e que você estava bem, dava pra enxergar perfeitamente o brilho do teu riso nas estrelas, iluminavam a minha noite e assim eu descansava em paz. Saudade não deixa a gente em paz, parece que não sossega enquanto não rói todo coração e deixa ele em pedacinhos, bem pequeninos, do tipo que pra colar precisaria de uma cola muito boa... como é que é o nome? Amor. Dizem que é a melhor cura pra corações em pedaços. Com a sua estadia na Terra, deixei de lado meu jeito: “firo facilmente”. Não quero nunca ferir a ti, pequenino. Mas, o orgulho só engulo agora, pois não seria a tua rosa se eu não fosse como eu sou. Pensei que você pudesse nunca mais voltar, fiquei muito mal com a probabilidade de você encontrar milhares de outras rosas e quem sabe me trocar por alguma delas, afinais por fora somos todas iguais, com a diferença de que umas têm mais espinhos e outras menos. Mas, tu pequenino... me ensinaste uma coisa muito linda com o teu retorno, vieste com aquela história de raposa, cativar, invisível, responsável, única, vieste com uma outra visão do mundo, que fez tudo ficar diferente e melhor, quase morri do coração quando me contastes do jardim com milhares de outras rosas e o que tu dissestes a ela: Não se pode morrer por ti, não cativastes ninguém e ninguém vos cativou. Se pode morrer por mim, pequenino? Porque ao que você me explicou, cativamos um ao outro, necessitamos um do outro e somos responsáveis um pelo outro, gosto de ser responsável por ti, gosto de poder dizer que o que eu sinto por ti é amor e que sois único no mundo para mim, gosto de te ouvir contar as tuas aventuras na Terra e gosto de quando dizes em voz alta, como se todos os planetas pudessem ouvir: Foi o tempo que dediquei a minha rosa que a fez tão importante. Gosto da lição de que não se pode ver bem com os olhos, que o essencial está invisível diante dos olhos, gosto de quando me protege e cuida de mim, mas a lição que eu mais gosto eu tive que aprender sozinha, aprender na tua ausência que os verdadeiros amigos são o maior tesouro que a vida nos traz, aprendi que as verdadeiras amizades são eternas e isso só descobri quando voltastes, porque me contastes da tua constante preocupação comigo lá na Terra, gosto de pensar que ainda que meu coração se fira sempre terei você por perto pra curar, gosto de pensar que meu humor sórdido não te preocupa e que você gosta de mim da maneira que eu sou, gosto de pensar que nem uma galáxia inteira é capaz de destruir um sentimento tão puro quanto o nosso, sou grata por teres me perdoado por todas as minhas tolices e infantilidades e gosto muito quando me chama de: minha flor, meu bebê.

Da sua, tão somente sua... Rosa.




Depois de mais de 15 dias sem postar eis que surge a margarida, ou melhor... A Rosa, é... meu melhor amigo me chama assim e eu o chamo de Pequeno Príncipe, ou melhor dizendo: PP. E essa "carta" eu fiz baseada no livro, mas pensando o tempo todo nas histórias que a gente vive. Só Deus, ele e eu podemos entender o sentido total desse texto. Mas, eu precisava postar alguma coisa, né? Saudade de vocês, meus amores! Vou jantar e depois respondo-lhes!

Te amo Guilherme Gouvêa, meu PP/GG! Pra sempre, sempre, sempre, sempre e sempre. ;) Até perder o coração parar de bater. E o título tem a ver com a música da banda dele que é em minha homenagem, vocês ainda hão de ouvir: Hoje as rosas que me disseram que a vida continua, mas o tempo falou... ♫

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Ao meu mestre com carinho...

Professor querido, eu sei tudo o que você sente, sei que as condições são poucas e você ainda ouve que o ensino é de péssima qualidade, sei que você se esforça e eu sei que você é capaz, mas o esforço não tem que partir apenas de uma das partes, sei que o que você faz é por amor e que acredita no futuro dessa nação, ainda que várias gerações já tenham tentado e não tenham conseguido, o processo é longo e ardilosamente complexo, precisa de paciência, ainda te resta alguma, ainda que mínima, professor?
Eu admiro você, professor. Admiro que mesmo depois de tanto tempo ainda te reste esperança, mesmo com tão pouco incentivo, admiro a forma como ainda acredita no amanhã. E ele chegará professor, o amanhã ainda vai brilhar e você vai poder sorrir em paz. Mas, eu e toda essa nação precisamos de você, professor, precisamos que você acredite, que você insista, que você ensine mais um pouco, só mais um pouco. Não direi a ti que estamos próximos do fim, porque nenhum professor me ensinou a mentir e não estamos, isso nunca vai ter fim, se você queria descanso escolheu a profissão errada e eu lamento. O descanso de um professor não acontece nunca, ele sempre se preocupa se o ensino dele é o suficiente e ainda que seja, para ele não basta, tem que ser mais.
E você sabe que andei chegando a certa conclusão sobre vocês? Vocês nunca são egoísta, posso dizer que egoísta é o antônimo de professor. Eu notei isso pelo vosso esforço. Corrige prova nos fins de semana ao invés de estar no churrasco com os amigos, ou no almoço de família com a namorada, aquele que ela fazia tanta questão.
Penso também que esta profissão, a tua, é cordial, delicada e admirável. É uma arte, ensinar é uma arte e não basta querer, precisa de talento, dom, precisa-se do saber. Digo urgentemente do saber, enrolar alunos fingindo que sabe de algo não é correto e vocês, em sua maioria são. Ou dão o máximo de si para poderem ser. Os que não são, não merecem nem o título de mestre.
Precisa-se urgentemente do saber, da paixão, da força de vontade e de crença, de que adiantaria professor, você saber e não acreditar no que sabe? Precisa acreditar sim, para fazer que os outros acreditem também, na sua totalidade.
Não só penso, como acredito que os professores são os donos das profissões, eles ensinam profissões e eles ensinam a vida. São professores os pais, são professores os mestres, são professores os patrões, são professores os amigos. Cada um doa um pouco do que sabe e aprende um pouco do que é novo. Professor deveria ser título de nobreza, assim como “Conde”.
Você professor, ainda que pareça um anjo ou qualquer coisa divinamente intocável e passível a grande admiração, por fazer tudo o que faz por alunos que nem sempre são gratos e respondem a altura do que você os coloca, é humano. E isso te faz ainda mais admirável, encantador e verdadeiro. E eu compreendo que também te surjam dúvidas, também esteja exposto ao erro e ao medo.
Os professores são aqueles que quiseram levar a sério a máxima de que a vida é um eterno aprendizado, os professores são os anjos do saber.



Texto dedicado aos mestres da minha vida e em especial aos que fizeram história, contribuíram para o meu crescimento pessoal: Milena, Daniel, Alessandra, Yara, Mauro, Bordignon. (Leandro, meu lelê também)
E ao mais importante, ao que eu amo, que não é meu professor nas salas de aula e sim na vida, mas é professor de outros nas salas e eu sei que é o melhor do mundo: Fá.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Tem sabor do quê? De saudade...

A minha infância foi sem dúvida a época mais feliz da minha vida. Sem responsabilidades, sem obrigações, preocupações eu levava a vida de uma maneira tão leve, eu era capaz de voar na minha infância com uma imaginação privilegiada tudo ganhava vida, tudo era motivo para a maior felicidade do mundo. Todo mundo teve, ou ainda está tendo infância. Nem todo mundo se torna adulto, mas todo mundo obrigatoriamente já foi ou vai ser criança um dia. Talvez porque a infância é a melhor fase da vida, porque na infância todo mundo é feliz por mais complicadas que sejam as circunstâncias, é a época que você não vê malícia em nada e encontra felicidade nas coisas mais delicadas. Infância é a época de descoberta – você descobre que o sol nasce, com todo o seu esplendor todas as manhãs, mas sabe a hora de deixar as estrelas brilharem. Época que você não conhece o significado e desconhece a razão, do egoísmo. – É uma pena que todas essas coisas caiam no esquecimento com o passar dos anos. As lições da infância deveriam ser eternas. Feito “O Pequeno Príncipe” e o “Peter Pan”, se eu pudesse não cresceria. Viveria eternamente os meus dias de criança, de pureza, de fragilidade. Com os anos que se passaram, com a distância que a infância foi tomando de mim, eu fui ganhando um escudo para me defender das coisas da vida, diferente de quando eu era criança, que possuía o peito aberto para tudo que era novo, um novo amigo, um novo amor, um novo sorriso, um novo sonho. Quando eu era pequena, eu tinha um herói. Digo tinha conjugado no passado mesmo, não pelo fato de não possuir mais, mas pelo fato de que ele partiu. Meu herói era de carne osso e era puro, não... ele não era criança, ele era o meu bom velhinho, meu avô. Ele fez da minha infância uma época recoberta de aprendizados, aprendi até a dizer adeus com ele. Porque os velhinhos, assim como as crianças tem o dom de ser feliz. De entender que pré-ocupação não vale mesmo de coisa alguma. Se tem uma coisa que marcou a minha infância, foram as brincadeiras. Brinquei de boneca, de esconde – esconde, de contar história, de passa o anel, qual é o mês, elefantinho colorido. Roubei, roubei sorrisos, roubei lágrimas (e levei pra bem longe), roubei amoras. Mergulhei, mergulhei nos conhecimentos caseiros, mergulhei na piscina de barrigada. Balancei, corri, chorei, perdoei, amei, cresci. Infelizmente eu cresci, mas existe alguém dentro de mim que diz que nem por isso eu deixei de ser criança, diz que infância é estado de espírito.




quinta-feira, 8 de outubro de 2009

O menino Curumim.

Curumim era um menino de descendência indígena. Daí o nome tão singular num mundo onde tudo parece igual. Ele até que era boa gente, tinha os olhinhos puxadinhos e o cabelo negro e liso, tipicamente indígena e unicamente brasileiro, adorava frequentar as aulas de história, quando a professora contava tudo sobre a sua gente. E defendia se algum coleguinha quisesse ofender, não gostava de ser chamado de indiozinho da mesma forma que os colegas se ofendiam quando chamados de urbanóides, parecia injusto já que era o que eles eram mesmo, o problema é que quando falavam assim, falavam com desdém. Os amigos mais íntimos o chamava de 'Mim' - Mim, vem aqui. Mim, faz isso. Ele até que gostava, se fazia de pomposo e caminhava com pinta de gente grande. As amigas gostavam mesmo era de mexer no cabelo dele, sempre comentavam: Olha só, o Mim nem precisa de chapinha. E todo mundo adorava quando o Mim trazia o que comer para escola, eram sempre coisas tão gostosas, não tinha na casa de ninguém. Nos fins de semana chuvosos, Mim ouvia sempre as piadinhas: Pare de fazer a dança da chuva, faça a dança do sol. E o dia mais legal do ano, era dia 19 de Abril. Se sentia tão importante, era o dia do índio. Mim, era sempre homenageado, a diretora nunca cansou de repetir o mesmo discurso: Nem toda escola tem um pedaço da história tão perto de si. Nem toda escola tem um índio a sorrir. E nem seria necessário contar, se não me fosse tão prazeroso que Mim estufava o peito feito pomba, coberto de orgulho.
Mas, a verdade era que Mim não gostava de português. Não gostava era pouco, ele detestava. Dona Joana a professora era um amor, mas ela tinha que ensinar. Toda a redação era a mesma coisa, ela estava cansada de falar para a garotada que não conseguia entender: Mim não faz nada.





segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Galerinha!

Tem blog novo na parada, prometo voltar aqui para fazer posts pra vocês. Mas, os estudos andam me consumindo por inteira e ando pedindo para respirar. Minha amiga, Dany me convidou para uma nova parceiria... Sim, nós somos sócias em várias coisas. Está aí um convite pra vocês conhecerem um pouco dos autores que fazem sentido para o nosso mundinho, pequeno... mas encantador! Aquele que não se vê só o que é visível. O que é mais importante, nós costumamos sentir com o coração.... seria pedir demais pra vocês darem uma passadinha por lá?


http://estouroempalavras.blogspot.com/

Faz sentido pra gente, deve fazer pra vocês também.


Milhões de beijos, pequena. :)

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

A alma diz pra onde quer voltar. ♥

Sentou na cama assustada e sentia-se gélida, como se estivesse fora de si. Apalpou seu próprio corpo para sentir se ainda era tempo de respirar, os olhos varriam o quarto para ver se estava tudo bem, ou se algo havia acontecido. O pijama claro e curto deixava a mostra seus pêlos arrepiados como num apelo não atendido pelo calor vital. A mediunidade não era bem vinda por todos e nem mesmo por ela, temia que aquilo fosse real e tudo indicava que era, o relógio anunciava que era hora de levantar, se havia sido sonho ou não ainda era necessário continuar, mesmo que lhe faltasse força. Colocou os pés no chão que parecia intangível, a sensação era de horror e medo, não se acostumaria fácil com aquilo, ainda que se tornasse freqüente. Levantou e por alguns instantes conseguiu se esquecer do que havia acontecido, ao certo não tinha esquecido... Conseguiu por um tempo não pensar.
Enquanto tomava o café ouviu ser chamada, olhou tudo ao seu redor e só sua mãe estava ali, não havia sido ela. Aquela voz grave não teria saído de tão delicada criatura, a menos que fosse uma brincadeira de mau gosto, mas não faria sentido. Como nenhum dos outros acontecimentos o fazia, seus pensamentos estavam sendo atormentados pelas mais diversas dúvidas, quando conversava com o seu irmão de alma ele sempre dizia a ela que ela era mediúnica, devido a diversas situações que ela tinha vivido. Tomou os livros pelas mãos e foi se dirigindo ao ponto de ônibus, todos os dias ela fazia isso... pegava sempre o mesmo ônibus para ir ao colégio. E sempre observava atentamente as ruas passando consigo, imaginava mil histórias durante o trajeto que não era muito maior que vinte minutos. Durante esse tempo sentiu a alça da bolsa cair do seu ombro, como se alguém tivesse puxado-a, o que seria impossível e logo depois sentiu um arrepio, mais um grande sinal de que ele estava por perto. Recordou-se do que havia acontecido naquela noite e tinha deixado-na tão assustada. O medo que ela sentiu só não poderia ser maior que a saudade que ela tinha dele, essa saudade atormentava-a sempre e fazia feridas que nunca poderia se fechar, a menos que o reencontro acontecesse e tinha acontecido, não era só mais um sonho ou um pensamento, não tinha sido um susto, era realidade. Eles estiveram juntos mais uma vez, as almas dos dois se reencontraram. E tudo o que ela precisava naquele momento era poder compartilhar com alguém aquele reencontro, mas o alguém não era qualquer. Poderiam rir da cara dela, poderiam chamá-la de maluca, de ridícula ou mentirosa. Mas, o coração não mente, apenas sente e ela estava sentindo aquela saudade um tanto amenizada, passou o dia na busca da pessoa correta e não foi possível.
Quando voltou para casa abraçou o travesseiro e se colocou a chorar, era um choro desmedido e merecido, as lágrimas corriam a sua face, não estava com medo do que tinha acontecido naquela noite e sim do que os outros pensariam quando descobrisse. Aquelas coisas não eram brinquedo com o qual poderia se brincar e depois deixar de lado, aquela não era uma história fictícia que ela veria no cinema e voltaria pra casa como se nada tivesse acontecido, ela era a personagem principal e o roteiro havia sido escrito pelo vida ou pela morte.
Sentiu lhe afagarem os cabelos. Ela olhou de lado e encontrou alguém que estava disposto a ouvir e não julgar, alguém que demonstrou interesse em conhecer uma história que tinha acontecido do outro lado da vida, uma história que nem todos estão dispostos a conhecer e nem todos vão viver. Lamentavelmente, sempre existe um alguém em nossas vidas para quem nós nunca gostaríamos de dizer adeus, ela sentia enquanto chorava que dizer adeus era necessário, aquela poderia ter sido a última visita do anjo a terra, poderia ter sido o momento em que ele conseguiu se desprender das coisas que ele tinha aqui, não era bom, não era satisfatório, mas era algo que precisava acontecer para o bem dele e dela. De qualquer forma era inegável que havia sido perfeito, mesmo em circunstâncias tão distantes. Foi quando cessou o choro e ouviu a voz que queria acolher aquela história.
- Anda, diga-me o que tanto te faz chorar...
Com a voz ainda embaraçada pelo choro e envolta por soluços, ela se acolheu ao colo da amiga e foi contando o que havia acontecido:
- Ele veio me visitar, eu não quis acreditar que tinha estado com ele quando acordei, mas foi real, foi tão real. Eu senti... – A amiga não quis interromper, apenas consentiu para que a aquela criatura ali em seu colo, se fazendo tão pequena, pudesse continuar. - Foi em sonho, eu até acordei assustada. Ele tinha vindo da Alemanha para o Brasil com a Camila e um filho, era filho deles. Eles tinham se casado e ele estava tão bem, com uma alegria que eu só conseguia ver quando estava por perto. Era tão sério com os outros. Eu trabalhava em um orfanato no qual a minha mãe era dona. E ele tinha vindo deixar o bebê, estava se separando da Camila que queria ficar no Brasil e voltando pra Alemanha, não consegui compreender os motivos que o fez tomar essa decisão. Mas, o engraçado é que ele não sabia que o orfanato era meu, ele tinha escolhido porque era um bom lugar, um lugar lindo... parecia uma casa no campo tinha uma árvore enorme e brinquedos por todos os lados, quando eu o vi dentro do carro foi impossível de controlar... eu saí correndo na direção dele. – um suspiro saiu dela, mas ela não se abalou. – Eu gritava como teria gritado se ele aparecesse agora ali na porta, eu gritava correndo na direção dele de braços abertos, como era a minha vontade de recebê-lo de volta. O bebê que ela trazia nos braços era a coisa mais linda de se ver, era loirinho e tinha os olhos azuis, eu acho que era menino e se chamava Josh, a Camila não queria deixá-lo, ou queria. Não falei com ela, deixei-a com outra pessoa, pra cuidar de toda a papelada e fui à varanda da casa matar a saudade do meu irmão. Ele me dizia que estava tudo bem com ele, melhor, muito melhor do que antes e que eu não tinha porque me preocupar, ele dizia que também sentia a minha falta e que nunca ia me esquecer, por um momento achei que ele sumiria da minha frente. Ele me pedia incansavelmente para que eu não deixasse meus estudos e eu disse que queria ir com ele, queria ir embora com ele porque a falta era demais. Eu o abraçava durante todo o tempo. Ele me disse que a Alemanha não era algo tão bom quanto eu pensava, que o Brasil era bem melhor, eu defendia que era bom porque ele não passava todo o tempo aqui e ele dizia que o povo brasileiro era muito mais receptivo do que os alemães. Pedi para que ele ficasse e foi em vão... Ele pegou as chaves do carro e chacoalhou-a na minha frente, fazendo tilintar e disse que precisava ir, as malas estavam no carro. Quis morrer com a partida, debrucei sobre a janela do carro dele, quando ele já estava sentado e ficava dizendo que ele sempre me faria muita falta. – A explicação foi interrompida por um grande silêncio, a amiga que prestou atenção em tudo o que lhe foi dito, voltou a afagar os cabelos da menina. Apenas sorriu como se concordasse – eu acredito em você.



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Esse texto eu escrevi a pedido de uma grande amiga, que disse que queria um reencontro, ainda que fosse um sonho. O sonho realmente aconteceu, eu realmente já tinha sonhado com isso, se aconteceu, se foi só um sonho, se foi real, se foi experiência mediúnica, como dizia o próprio personagem dessa história verídica, que eu tinha fica a critério de vocês. Eu acredito e isso é suficiente. Um beijo pra vocês todos! ♥
 
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